quarta-feira, 23 de junho de 2010

First of all, I'm the boss

Todo mundo tem um ídolo. Uma pessoa em quem se espelhar. Somos atraídos por esses indivíduos de projeção abrangente; rostos na TV, vozes na rádio, fotos nas revistas. Além da imediata simpatia com que encaramos a pessoa, surge o interesse de conhecer a sua vida, assimilar seu talento, entender o por quê da projeção. Personalidade, este é o centro da questão. Personalidade é aquela aura que emitem os seres humanos, e podem servir tanto para aproximação quanto para afastamento. E é essa personalidade pulsante que nos faz orbitar ao redor de suas batalhas e de suas conquistas. Nos interessamos pelos seus problemas. É uma necessidade que temos a de abstrair as nossas próprias vivências, os nossos próprios interesses, noutra pessoa. Palavra: Influência. Às vezes, essa ligação pode provocar profundas mudanças no recém-proclamado fã. Eu sei disso, oras. Muitos devem saber, eu sou um fã inveterado, aficcionado e devotado do sr. Marshall Mathers, aka. Eminem.
Eminem é o cara. He's the boss. Um cara mal-acabado, azarado, chutado de todas as direções, traído, desestimulado, que conquistou o rap. Como carne de cachalote, ele só precisou de uma pequena combustão inicial, e desde então fornece o óleo do próprio corpo para manter acesa a chama que o impulsiona para frente. E quando eu digo óleo do corpo, eu estou sendo praticamente acurado: é a sua eterna desgraça pessoal que traz a sua fama; como um contrato com o Diabo, ele só pode ter uma das duas coisas, mas ele estará sempre fadado à infelicidade.
Desde sempre, o que o rapper nos oferece é uma demonstração de genialidade enviesada; Eminem dissemina o ódio. O ódio em suas variadas formas, desde a simples (porém não menos eficiente) ironia, até os ataques diretos, recheados com a energia verbal que só ele consegue imputar em suas músicas. Ele não tem amor próprio quando se trata de destruir o próximo; o seu circulo de confiança é próximo da inexistência, e o seu respeito pelo que é alheio é como o dia 31 de fevereiro.
O mundo tratou com descaso o rapper, e o rapper paga com descaso pelo mundo. É um sentimento natural, chega a ser vulgar de tão simples. Mas é daí que nasce aquele tipo de genialidade disforme, imprópria, que eu tanto admiro. O Eminem é a desculpa que eu tenho para detestar tudo o que me detesta.
E recentemente, o rapper voltou da 'aposentadoria; . Com mais problemas do que nunca; o que é morbidamente normal. Drogas lícitas, perdas intragáveis, o Eminem anda com a vida fora dos eixos. Suas responsabilidades estão de pernas para o ar, e ele se sente culpado por tudo o que vêm acontecendo. Ele é extremamente inseguro, então os seus últimos álbuns refletem o que há de mais puro nele: são projetos artísticos desconexos, o primeiro sendo meio sem rumo, uma tentativa do rapaz de aliviar suas frustrações por meio de todo tipo de patologia conhecida pelo homem, enquanto o segundo já oferece uma decisão sólida do que ele quer perseguir.
O primeiro, Relapse, não foi tão bem recebido pela crítica. Bruto em excesso, e sem motivos, com produção fraca. Já o Recovery, que foi lançado esta segunda feira, dia 21 de Junho, tem uma produção que, embora passível de críticas, é indubtavelmente mais elaborada, e tem um Eminem que cospe seus versos de maneira voraz e astuciosa, mirando alto e tentando sair da cova em que esteve nos últimos anos. Como ainda não está de todo inteiro, o rapper ainda está meio distante do que era em seus anos áureos, representados pelos seus 4 álbuns iniciais.
A verdade é que estamos em 2010, e ele já tem 11 anos de carreira; mais do que 99% dos rappers por aí (todos, eu poderia dizer, fora o sr. Jay-Z). Não seria errado dizer, também, que o motivo pelo qual ele não tem recebido tanto crédito é que os críticos, e os fãs, não querem mais saber dele. Eminem tem 37 anos, já é pai de família e tem responsabilidades adultas. Ele não é mais tão magnético para os jovens, que só querem saber de sair para festas e, por que não, putaria.
Mas eu continuo aqui. Assistindo o desenrolar da vida de um grande homem. Eu anoto todas as lições de ódio que ele dá. Eu tento imitar o jeito dele de andar. Porque no final das contas, não tem nada que eu ache mais soberbo do que a luta de alguém contra, oras, si mesmo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Hodiernamente, Direito Internacional Público

Estive estudando. Amanhã tem prova de Direito Internacional Público, e é bastante coisa para rever.
Já contei para vocês que o meu professor de DIP lançou um livro? Anham, ele lançou. Pela Valer, aquela livraria/editora que tem ali no Centro. Eu vou agora redigir-lhes um texto sobre relativo às minhas últimas experiências na faculdade , e inclusive vou utilizar o dialeto que o meu professor utiliza no livro dele, que ele jura ser o bom português
.
Hodiernamente, eu curso Direito,na Universidade Federal do Amazonas, a UFAM. Vêm a ser um dos cursos mas conceituados da faculdade, a Universidade Federal do Amazonas, a UFAM (Não que isso valha muita coisa). Eu tenho cincos matéria, na Universidade Federal do Amazonas, a UFAM. Isto se acontece-se por causa do Princípio das Cinco Matérias da UFAM, e para o compreendê-lo, é necessário levar em conta a origem do aluno originário da faculdade de origem; em suma, hodiernamente, o bom discente tem uma grade de matérias que tome apenas razoavelmente o seu tempo, para que ele possa estudar. Isto é o dogma do Princípio das Cinco Matérias da UFAM, e faz parte do Jus Cogen, que é a reunião de princípios consagrados da Faculdade.
Dentre estas cinco matérias, está o Direito Internacional Público. Hodiernamente, infelizmente, eu não gosto muito do professor de Direito Internacional Público, porque o professor de Direito Internacional Público me passa a impressão de que pouco sabe da sua matéria; Direito Internacional Público. Uma pena, porque o Direito Internacional Público é de fato uma matéria muitos interessantes. Agora, o motivo do meu desinteresse se pode-se ser conceituado-se com os quatros seguintes princípio:
1) Princípio do Professor Canastrão: Um cara formado em Direito pela Faculdade de Maringá (?), com Mestrado em Direito Civil e Doutorado em Direito Constitucional em outras faculdades cujo nome eu nems lembro mas, ele escreveu, hodiernamente, um livro sobre Direito Internacional Público, e na sua foto de contra-capa, está diantes de um montes de livros de Direito Penal. Como você pode ver, ao invés de saber muito de uma coisa, ele conseguiu ficar sem saber nada de tudo.
2) Princípio do Livro Obrigatório Ridículo: O bendito livro por ele escrito, adivinhem, é o livro que ele quer que nós leiamos. Ei de sintetizá-lo para vós numa singela equação:
(Plágio/Resumo do livro de H. Accioly)³ + (Erros de português)² = Livro
Eu tenho o livro do Accioly, e é muito bom. Me faz gostar da matéria. Mas eu sou obrigado à ler a versão 'Barba Ruiva'. Isso me deixa impossivelmente triste.
3) Princípio da Aula Chata: Como não poderia não deixar de não ser, ele dá uma aula hodiernamente chata, que vai contra as regras do tempo e espaço; 5 minutos = 5 horas.

Sério gente, não escrevo para desmerecer ninguém. Mas Ninguém, numa atitude egoísta, pode ter prejudicado seriamente a turma; sei que eu me sinto muito prejudicado. Então aqui fica a minha crítica.
À propósito: Hodiernamente, Pact Sunt Servanda

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Príncipe do Nada: Areias de Merda

AVISO: SPOILERS GRAVÍSSIMOS, GROTESCOS E ABSURDOS SOBRE O FILME PRÍNCIPE DA PÉRSIA. NÃO LEIA SE VOCÊ AINDA DESEJA ASSISTÍ-LO NO CINEMA!

Olhem só, calças jeans azul, vermelha e brancas com estrelinhas brancas enfeitando os bolsos foram arreadas, e mais uma película escatológica foi excretada nos nossos cinemas. Explico-me.
Prince of Persia era um jogo e tanto. Correr nas paredes e parkour em geral, mil e uma maneiras diferentes de se matar os inimigos, lugares mitológicos, personagens entrosados e estórias descoladas, o jogo tinha tudo para apaixonar os jogadores de Playstation 2. E agora, depois de anos de promessas e anos em produção, temos o resultado.
É uma tendência a infantilização do nosso cinema, isso é fato. Não temos mais mentes interessadas no chocante e no brilhante, temos vontade de comer pipoca. Razão disso é, oras, quando foi a última vez que você saiu do cinema sem entender plenamente o que assistiu? E ainda assim, sem se dar ao trabalho de tentar entender,e auferir o significado subjacente da obra? Ninguém faz isso, não mais. Até porque não há demanda. Mas oras, isso não é desculpa para esse retardamento com o qual me deparo num filme tipo Príncipe da Persia: Areias do Tempo.
Fui assistí-lo na pré-estréia, claro, como qualquer fã que se preze. O filme é sobre um, duh, Príncipe Persa que encontra uma adaga mágica, que por sua vez se utiliza das tais areias do tempo para proporcionar ao seu portador um breve retrocesso no tempo; artefato muito cobiçado pelo conselheiro do rei. Esta é a história do filme que tem em comum com a do jogo; as alterações do filme são que agora o príncipe tem 3 irmãos, o conselheiro é seu próprio tio, e uma série de personagens secundários infundados são acrescentados. Ah, e no jogo o príncipe não tem nome,já no filme ele foi insipidamente nomeado Dastan, o tipo de nome que me dá vontade de cospir. E o objetivo do vilão no filme é bobo: ele quer reunir a adaga à outra parte do instrumento concedido pelos deuses persas (já que a adaga e essa outra parte formam um instrumento só), uma ampulheta gigantesca cheia dessas areias, o que teoricamente poderia alimentar a adaga tempo o suficiente para que ele voltasse o tempo até onde bem entendesse, evitando assim salvar a vida do irmão num momento específico, e tornando-se rei, cometendo assim um crime sem cometer crime nenhum. O que ele não sabe, é que se ele tentar fazer isso, a ampulheta irá rachar e, opa, Armagedon, Apocalipse, Fim dos Tempos, Sex and the City, você escolhe o nome da tragédia . Logo se torna objetivo do casalzinho levar a tal adaga à um certo lugar que nem eu sei direito o que significa, mas que por algum motivo deixaria a adaga salva para todo o sempre.
A relação que estrutura o filme, do príncipe com a moça com quem ele se aventura, é divertida mas não chega a ser gratificante.O diretor, espertamente, se aproveita do mais óbvio benefício dramático que uma trama assim pode conceder: ele sai matando seus personagens um a um; o que serviu apenas para fortalecer minha convicção de que ele iria inevitavelmente levar o príncipe numa viagem temporal para antes de que qualquer coisa tivesse se tornado interessante, extirpando assim quase que por inteira a graça do que se passava na tela; olá, estou assistindo um filme que nunca aconteceu, me dê um pouco da sua pipoca, valeu. E olhem só, estou com uma coceira atrás da orelha: por quê, DIABOS, os Deuses persas dão uma porcaria de uma chave para o Apocalipse para os humanos idiotas guardarem, e ao mesmo tempo dá o lugar onde a tal chave poderia ser guardada para sempre em segurança, e ninguém nunca ligou os pontos até o momento em que a destruição se torna inevitável? Digo, vamos manter aqui a porcaria do artefato apoteótico sem experimentá-lo ou sequer dar-lhe uma utilização besta tipo evitar que o pão onde acabamos de passar manteiga caia no chão, ao invés de selá-lo em eterna proteção contra a natural vilania humana. O filme é, tudo considerado, uma besteira, uma bobagem. Ninharia. Um mimo tolo de 200 milhões de dólares.
Como todas as adaptações de video games, poderíamos passar sem.
Fica agora uma última comiseração minha: oras, se a adaga não poderia ser utilizada enquanto fincada à tal ampulheta sem proporcionar-lhe uma rachadura e desencadear assim a destruição mundial, como que no final o vilão assim faz ocorrer, e por longo tempo a mantém fixa dentro da ampulheta, até que o príncipe a retire, e ainda assim este consegue voltar longamente no passado, propósito este que estava descartado pelas próprias instruções divinas?
Ah, não enche, Príncipe da Pérsia. Não sei quanto a você, mas a minha vontade após assistir o filme era ter eu mesmo uma adaga mágica daquelas, e voltar no tempo o suficiente para evitar pagar o meu ingresso.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Vintesete

Eu poderia calçar minhas luvas negras mágicas e criar você. Com minhas mãos eu poderia espalhar todas as células do seu corpo, e com o menear de meus dedos eu poderia proporcionar suas curvas, para que com o meu indicador eu riscasse um sorriso no seu rosto. Poderia dar-lhe músculos e sentidos, e você andaria e correria. Juntos poderíamos compartilhar os arrebóis e quem sabe parar para um sorvete. Mas o calor da vida só é sentido no sangue que vaza dos talhos que o destino abre na nossa felicidade, e fazer-te sofrer seria pior do que nunca ter lhe enchido os pulmões pela primeira vez.

Eu poderia erguer meu lápis negro e desenhar você. Poderia construir a simetria perfeita em seus lábios, poderia calcular o tamanho perfeito de seus braços, quase sentindo o afeto de seus abraços. Eu poderia despejar as tintas e sentir vibrarem minhas emoções só de olhar para as suas cores.E na paisagem ao seu redor, eu faria de tudo para que ela só viesse a realçar você, e todas as qualidades que eu vejo em você. Num momento de exultação incontida, talvez eu pudesse sentir o palpitar de um coração, mesmo que só de mentirinha, na minha folha de papel. Mas desenhos, tanto quanto fotos, são as coisas mais tristes. Lembretes de coisas boas que não vão voltar nunca mais; ou, no seu caso, o desenho na minha parede seria apenas um convite à lembrar que eu jamais iria lhe encontrar de verdade. Aí, eu teria que destruir o papel antes que ele me destruísse. Chega um ponto em que o criador deve escolher entre si e suas criações.

Eu poderia deitar na minha cama negra e sonhar você. Eu poderia me surpreender com as maravilhas que o meu eu interior viesse fazer com a sua aparência e o seu jeito de ser. Ele seria sempre genial, e você sempre mais impecável, já que ele é a idéia das minhas idéias. Você estaria sempre bem, e eu estaria sempre com você. Poderíamos montar um boneco de neve juntos, vestindo roupas de cores contrastantes, e você me maravilharia com a sua precisão com os detalhes, ou quem sabe ainda pudéssemos tentar cozinhar juntos, o nosso gosto exatamente o oposto um do outro, e você me corrigiria nas minhas falhas, sempre sorrindo, e eu me espantaria com a sua paciência inabalável. Mas não, essa opção é apenas a mais devastadora de todas. Como eu acordaria de manhã sem você?O que eu ia fazer? E se me esquecesse esse sonho, e restasse apenas a sensação? Sentir a ausência sem ter do que sentir saudades, isto seria um castigo que esmagaria o resto de meus dias.

E então? Sentado numa de três cadeiras na minha sala de solitude, eu afundo nas mãos a cabeça. O que fazer? O que fazer de você? Você é perfeita porque eu sou imperfeito, e apenas as coisas imperfeitas tem a capacidade de criar coisas perfeitas,e vice-versa. Deus é testemunha. Mas será que eu suportaria viver com você? O meu reflexo no espelho me questiona.

Mas será que eu poderia viver sem você?

terça-feira, 11 de maio de 2010

Senhor Direção: 72 horas depois

Ok, a conclusão do motivo pelo qual a maioria das pessoas que acessa o meu blog esperavam: passei no teste de direção.

Fui perseguido, trapaceado, enganado, insultado, desrespeitado, marcado, injustiçado e muitos outros “ados” do qual não me orgulho. Cheguei em um ponto em que, sério, achei que eles iam fazer o meu processo vencer. Já contei que até por ter entrado de primeira marcha na Área de Exames eles me reprovaram, na hora do percurso? Pois é. Todo tipo de idiotice e calúnia que você possa imaginar, been there, done that. Mas não sinta pena, longe disso.

Desde segunda-feira tenho ido e voltado de carro da faculdade, e desde sábado tenho flanado pelas ruas de Manaus. E então, 3 meses de exames e reprovações, para quê? Se você habita por aqui, provavelmente conhece a máxima de que o trânsito é um purgatório. Bem, isso é verdade. Incontestável. Dirijo à 3 dias, e já tenho várias críticas:

1) Os carros possuem um singular sistema chamado luz de sinalização. É de fato um conceito inovador e simples de se usar. Serve para a comunicação no trânsito. USEM, PORRA. Digo, pôr a mão para fora não adianta nada. Eu não sei se você está esticando a mão porque quer mostrar a aliança para indicar que casou, porque você quer me dar tchauzinho ou porque você vai me mostrar o dedo do meio, já que você queria o tempo todo me cortar e eu não deixava. Sério, encoste o dedinho na haste que se eleva à esquerda do volante e SINALIZE. Assim, eu sei para onde você quer ir.

2) Aquelas linhas brancas pintadas no chão são realmente algo fora-à-parte, certo? Digo, muito bonitas. Se você tirar uma foto de cima, olha que jeitoso fica. Legal né? Chamam-se faixas. Servem para conduzir o trânsito. Guiem-se por elas. Botar o carro no meio exato delas NÃO vai me fazer pensar que você é um grande equilibrista ou algo do gênero, isso NÃO prova que você tem um bom golpe de vista. Isso prova que você é um cuzão, e só. Aliás. Se essa faixa for intermitente, isto é, vários risquinhos, e você se orgulha muito indo exatamente no meio, páre. Você NÃO é o Pac-Man comendo as frutinhas, mas eu posso muito bem ser o fantasminha que vai dar game-over na sua vida, animal.

3) Motociclistas. Eu ODEIO motociclistas. Ei, seu MALUCO, seu MENTECAPTO, não é porque o seu veículo é menor que você pode sair costurando o trânsito, ok? Até porque não é pelo fato de o meu veículo ser maior que eu posso passar por cima de você, certo? Mas é o que você IMPLORA que eu faça, toda vez que você simplesmente passa livre leve e solto zunindo pela lateral do meu carro. Seu filho-da-puta.

4) Pedestres. Seres acéfalos, inconsequentes. Digo, eles querem simular Frog, aquele jogo de Atari do sapo atravessando a rua. Suicidas, é o que são. 3 dias, e mais que 5 criaturas já tentaram pintar o meu parachoque. Há pedestres suicidas para todos os gostos: aqueles que atravessam a rua beeeem devagar só porque acham que estão longe (como se eu nunca fosse me aproximar, no meu carro) até aqueles que se jogam como goleiros desesperados atrás da bola, cuja localização eu não posso duvidar que não seja NO MEU PARABRISA.

5) Geral desrespeito pelos semáforos. Não vou comentar. Parar no sinal vermelho virou coisa de gente careta, só pode.

Enfim, talvez o meu blog não seja o melhor lugar para puxar esse assunto. Um livro talvez fosse melhor. O importante é: muito mais que uma nova forma de liberdade, direção é um arcabouço de novos compromissos e desapontamentos. Prepare-se.

terça-feira, 4 de maio de 2010

There's still a lot of growing up to do

Jovens não morrem. Essa é a minha filosofia favorita. Jovens não morrem. Das luzes que xispam pelo painel do carro tarde da noite, acima de um velocímetro inconformado, passando pelas mãos que manipulam num malabarismo indecente sexo, interesse e relações sociais, essas são as mesmas mãos que agarram as golas de blusas alheias, quiçá faltem sorrisos e beijos à esses lábios irados, lábios que não se poupam de sorver todo tipo veneno.

Eu me sinto velho. O meu corpo pesado repousa eternamente num trono de pedra, e eu sou uma estátua viva, eu sou o Homem de Ferro que veio do futuro profetizar a morte dos meus iguais, e eu estou na pista certa de matá-los todos. Eu os assisto todos, apoiando a cabeça com um punho fechado.

Jovens são o futuro, dizem os velhos, mas como pode um novo entender o que eles querem dizer com isso? Se um jovem não morre, ele mais do que ninguém é incapaz de dizer o antes do depois. O homem atravessa a ponte porque, mesmo que atrás não haja necessariamente a morbidez, ele é cego pela promessa de sua ausência à frente. É um problema dos eternos a desconformidade, e você pode sentir a mutação sempre que conversa com um jovem; não é sangue que extravasam suas veias, é um líquido roxo viscoso, que apodrece. São todos meio-humanos-meio-diferentes. Todos têm ideologias diferentes, todos acham que têm o futuro pautado. Acham que sabem como se portar, vejam seu jeito de andar, notem seu jeito de falar, eles riem entre si, parece até que são plenamente capazes de raciocinar. O que tem em comum é simples: sempre incorrem em erro.

Olhe nas minhas costas, enquanto eu me inclino. Eu estou sem blusa nesse trono gelado. Perceba o grande A que eu tenho talhado, entenda o que ele quer dizer. Atente que ele está circulado, adivinhe agora o que eu venho a ser. Enquanto isso, eu já comecei a minha translação.

É tão engraçado. Depois dos 18 anos a idade entra numa zona sombria, e só retomamos a conta depois da primeira grande tragédia. Nós achamos que somos um momento só, mas exige-se muita atenção perceber que à cada dia que o calendário destaca ficamos mais odiosos. Você não se cansa dos seus preconceitos? Tão jovem e já tão carregado, que bagagem é essa? É ela que está muito pesada, ou é você que não sabe como lidar com ela? Sem rugas no rosto e já tanta coisa com que se preocupar. Você não é tão imortal assim agora. Ter medo do certo e do errado é sinal de que ainda há um monte de crescimento por fazer.Discernimento é para os mortos. Achar que todo dia é o fim do mundo é clichê, mas é o que acaba acontecendo. Jovens não percebem que lhes falta uma coisa essencial: o contar dos dias. Cada dia é uma mão de cimento na sua muralha moral. A perspectiva da eternidade pode ser enlouquecedora, eu vos digo, e a imortalidade é a maior causa de morte e de desgraça de que se tem notícia. Ela avassala a muralha dos incautos.

Vejam, eu me levanto. Eu trago a tal tragédia que vai acabar com a sua imortalidade. Eu sou o início do seu fim. Eu vou terminar suas expectativas, eu vou mudar sua perspectiva, eu vou desacreditá-lo de suas assertivas. Observem,apenas observem.

Observem, enquanto eu extendo meu dedo à luz do relógio na parede.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

I Am Iron Man

Iron Man é uma série curiosa. Bem, não guardo aqui sentimentos pela famosíssima série em HQ’s ,já que não a conheço nem jamais a li. Quero tratar da série cinematográfica. Cuja mais sequência, Iron Man 2, chegou recentemente aos cinemas do mundo todo.

Através de pesquisa, soube que nas HQ’s Tony Stark (o Homem de Ferro) sempre é um playboy rico, dono da bélica Stark Industries, e que o seu criador, Stan Lee, o desenvolveu para esboçar no papel sua visão acerca do Comunismo. E, como no filme, o herói começ a sendo capturado por vilões de origem diversa, com o intuito de fazê-lo construir armamento pesado em seu favor. A situação não vai longe: logo Tony constrói uma armadura especial e escapa do coração do lado malvado da história, “tiranu onda”.

Bem, no decorrer dos anos, os oponentes do Homem de Ferro deixam de ser comunistas e seguem aquela sequência lógica da rotina americana: Comunistas, Crime Organizado, Terrorismo... Não obstante, foi isso que me chamou atenção.

O filme Homem de Ferro foi lançado em 2008 para um sucesso de crítica raríssimas vezes alcançado por um filme baseado em quadrinhos. Foi ovacionado como a mais sublime e universal adaptação já feita de uma História em Quadrinhos. Bem, sabendo da premissa da HQ, logo se vê o por quê: o Homem de Ferro é um dos mais interessantes super heróis, pois seu apelo não encontra limites temporais: o Homem de Ferro sempre surgirá, enquanto o homem estiver em guerra. O Homem de Ferro é o sentimento de que há uma batalha à ser vencida. Tony Stark, aquele bem sucedido bon vivant que é forçosamente alienado de seu lar pelas forças do mal, e que percebe então seu dever para com uma causa maior: a paz.

Eufemismos à parte, como todo super herói, o Homem de Ferro é mais uma supremacia enlatada. Enlatada como sardinha, e vendida para satisfazer a necessidade dos jovens de ver desenrolarem situações épicas com as quais eles possam se relacionar. Mas mais original ainda, Iron Man evoca a guerra. A armadura multi-uso de Tony Stark, e suas mil utilidades, cada uma mais belicosa que a outra. E oras, justo quando os EUA estão em uma de suas mais polêmicas guerras, eis que Iron Man surge novamente. Sua armadura brilhante, risca o céu, velocidade fora de sério, rumo ao leste, onde pousa e salva famílias estrangeiras da sua própria parafernalha Stark Industries.

Senhores, 2 anos atrás Iron Man surgiu com uma proposta mais do que austera. É um filme completo, com atitude. Mas dizer dele apenas isso é incorrer em erro; o que não dizer da atuação do sr. Robert Downey Jr.? Um ator com um histórico vertiginosamente decadente, que nos tempos mais recentes atuava em filmes fracassados por meio de favores, também ele se ergue de sua cova, agarrando com unhas e dentes o seu personagem. Com uma atuação excelente, ele transcende seu papel e merece a sua frase-sensação: “I am Iron Man!”. Ele sozinho dá pique ao filme e faz com que o canastrão Tony Stark se torne um personagem realmente carismático. Pois é, sr. Downey Jr., you are Iron Man.

Da recente sequência, pouco a se dizer. O filme abandonou os preceitos anti-armamentistas na tentativa de abraçar uma premissa que chega a ser irritante: o ego de Tony Stark explodiu e agora ele parece achar que o planeta não é mais importante que sua sombra. E nesse sentido, ele crê ter privatizado a paz mundial. O que é bem bobo, se vocês me perguntarem.

Comentários profundos à parte, pode-se esperar grandes atuações de Robert Downey Jr, do Samuel L. Jackson, e até mesmo algumas cenas de ação cheias de testosterona e adrenalina. Algumas risadas também.

E, novamente, uma cena escondida após os créditos =)