quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Meninas de hoje

Ei, este texto não é sobre o que você está pensando que é, seu sacana.

Outro dia, eu estava fazendo meu jogging usual nas esteiras do Cagin, assistindo ao filme do Austin Powers no Boomerang, quando entram os comerciais. E devo dizer, eles davam muito destaque à dois certos programas: um trata sobre uma jovem que está a ser paquerada por um zumbi que faz parte de uma banda (?), outro sobre uma menina que tem uma banda e leva uma vida menina normal/roqueira famosa (ao estilo Hanna Montana).

Beleza, beleza. Então, alguém pode me explicar qual é a dessa geração? Digo, Crepúsculo e Hanna Montana, Vampire Diaries e sei lá mais o quê. Na minha época, os desenhos eram A Vaca e o Frango, Laboratório de Dexter e Meninas Superpoderosas; todos desenhos ganhadores de Emmys, ok?. Agora, é novela mexicana, soap opera americana e romance de revistaria. Todos porqueiras inveteradas, ok?

As meninas andam descontentes consigo mesmas? Elas não aceitam mais a sua normalidade? Isso não é novidade. Digo, agora a fuga da realidade é o novo infantil. Querem uma fórmula de sucesso? Menina palerma recebe de presente e embrulhado o extraordinário. Opa, descrevi todas as séries de sucesso da atualidade, ou é impressão a minha? O extraordinário vêm na forma de um homem ideal (um vampiro belo e perfeito, que nem sequer tem mais que se esconder do sol ou beber sangue humano, pois não queremos ter de nos preocupar com qualquer empecilho de fato para o romance dos protagonistas.) ou na forma de uma carreira surreal (simples estudante de dia, rockstar de noite; tarefa de casa pra quê?). Note-se que em nenhum dos casos o resto das amizades da menina sabe do que de fato se passa na vida da moça; não sabem que o homem que vêm chupando seus lábios se amarra mesmo é em chupar seu sangue, ou que o motivo de ela voltar tarde da noite de peruca e cheia de purpurina não é prostituição, mas sim uma inocente carreira de super astro, o que nos remete àquela velha máxima: mulheres adoram seus segredinhos.

Sério, qual é? O entra dia sai dia é marasmo demais? Falta emoção? Vocês tem sido cortejadas pelos homens errados? Tenho que admitir, Príncipe Encantado hoje em dia tá difícil (mas oh, aproveitem enquanto eu ainda estou solteiro). Eu sou até melhor, porque não me alimento de sangue fresco, mas me satisfaço com belos sorrisos e tenros olhares. E essa do super stardoom, é por causa do desejo subconsciente que vocês têm de simplesmente serem populares ao ponto de ter que dizer “chega”? De precisarem se esconder? Acho que vou usar a cantada do "Oi, sou um caça talentos, e você é tem as mais belas costelas salientes de todo o aposento".

Essas séries atacam as inseguranças femininas de maneira grotesca, quase violenta. Chega a ser intrusivo. Mas elas gostam. Elas gostam de ter as coisas entregues a elas. Acostumam-se a serem carregadas pelos fortes braços de um vampiro que nunca vai aparecer,ou à poderem gastar de um dinheiro sem ter de se preocupar com o seu final.

Romances vazios e vidas fúteis, essas são as cartas da vez. Já perceberam que ninguém estuda de verdade nessas séries? Tá, ninguém estudava nos desenhos de quando eu era criança. Mas pô, ninguém mais lê também. Eu já assisti à um episódio de Jonas Brothers com minha irmãzinha, e o tópico frasal do episódio era: a roupa que os irmãos usariam em tal ocasião sujou-se com refrigerante, e não estaria disposta no tal evento. SÉRIO? É ISSO? É SOBRE ISSO O EPISÓDIO? MAN, ARRANJA UM PAR DE BOLAS,TÁ? Digo, é isso que a TV diz para os moleques? Que os grandes desafios da vida lá fora se encontram na dificuldade de arranjar roupas em cima da hora? Amigo,cê tá vendo aquele penhasco ali? Pula. Te joga. Cai. Morre. Purpurinize-se. Esvoace com o vento.

Outro dia teve um evento na Fire, club badaladíssimo, onde um certo “Colírio” deu as caras para agradar a meninada. Foi um evento tipo Xuxa só para baixinhos mesmo. E eu fui checar as fotos do evento, e PORRA. Digo, PORRA. Cara, aquela criatura era feia. Tipo, FEIA. Dava medo, sério. Ele era cabeçudo, e usava uma simples blusa de gola em V apertadíssima, delineando o corpo esquelético (ok, sem braços fortes ali, isso é certo). E a face do ser! Meu deus, ele tinha exatamente o mesmo sorriso em TODAS as fotos. TODAS. Dava para fazer um slideshow, e se você mudasse bem rápido não ia notar a diferença no rosto do meliante. Aliás, se alguém grudasse a foto dele no meu quarto, só daquela cara, eu não conseguiria dormir à noite, admito. O mais interessante, no entanto, era ver o tipo de menina que compareceu ao evento. Por trás de cada sorriso, de cada olhar, uma Isabella Swam.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Um navio de lego

Eu montei um barco pirata de lego.

Peça por peça. Encaixe por encaixe. Desde as primeiras chapas do casco, até a ponta dos mastros.

Eu sorri para o barco, ao click do último encaixe. Ele estava perfeito, terminado. Pronto para mil aventuras. Cinco bonequinhos são sua tripulação, e há um capitão e uma donzela.

A donzela pode ser enamorada do capitão, e eles podem ser um casal fugido da Inglaterra. A tripulação pode ser uma corja de ladrões, mas daquele tipo de ladrões dos filmes românticos, que são sempre nobres e carismáticos. Eles podem todos ter sido compelidos a escapar do opressor exército inglês por desentendimentos políticos, lutando contra uma Coroa infiel e ambiciosa, e se juntado na missão de espalhar a instabilidade e a insurgência entre as diferentes classes sociais. A caveira na bandeira pode ser o símbolo de uma rebelião histórica. E o capitão e a donzela são charmosos e apaixonados, e no fundo é a sua figura parental que une o grupo instável que é a tripulação do navio, como uma família incomum.

Ou a tripulação pode ser de uma desgarrada estirpe, perseguidos pela boa Justiça e temidos pelos trabalhadores honestos. Isso porque certos homens idolatram a própria imagem e simplesmente não se ajustam à sociedade alguma. Profissão e honra são meios de domar as pessoas, e esses mesmos homens deles fogem como diabos fogem da cruz. A marginalidade é a salvação, e a lâmina fria na garganta do próximo é todo o escapismo que esses insanos necessitam para acalmar o próprio peito. Vontade de sangue, vontade de violência. E a donzela é uma prostituta e o capitão é um refém psicológico, um boneco das vontades da sua incontrolável tripulação. Ou quem sabe, ele é o mais insano de todos, o mais violento e o mais temível. O meu navio pode ser o navio da morte, e a caveira em sua flâmula nada mais é que prenúncio de perdição. Três tiros de canhão na noite, e vários homens bons jamais encontrarão o caminho de casa.

Ou quem sabe, política e sociedade nada tem a ver com a história desse navio; quem sabe a tripulação é de sonhadores e aventureiros. Quem sabe do diário de bordo deles nada conste se não relatos de encontros míticos encantados. Fugas apertadas de ciclopes e encontros avassaladores com sereias. O capitão é um homem sábio e a donzela, sua esposa, mulher cheia de segredos; pode ser então que o protagonista da história seja um dos simples tripulantes, um jovem esperto e sedento por explorar os cantos de um mundo que está só começando. Nada de baleia branca assassina ou de icebergs escondidos; não, só o dia após dia de um grupo de pessoas que tem toda uma vida pela frente.

Eu paro de sorrir. É só um barco de brinquedo que nunca vai deixar a minha sala de estar.

Porque nenhuma conquista mais tem sabor.

Porque tudo se tornou muito complexo.

Porque na mente do homem de hoje, não há mais espaço para Navios Piratas.

Um navio de lego

Eu montei um barco pirata de lego.

Peça por peça. Encaixe por encaixe. Desde as primeiras chapas do casco, até a ponta dos mastros.

Eu sorri para o barco, ao click do último encaixe. Ele estava perfeito, terminado. Pronto para mil aventuras. Cinco bonequinhos são sua tripulação, e há um capitão e uma donzela.

A donzela pode ser enamorada do capitão, e eles podem ser um casal fugido da Inglaterra. A tripulação pode ser uma corja de ladrões, mas daquele tipo de ladrões dos filmes românticos, que são sempre nobres e carismáticos. Eles podem todos ter sido compelidos a escapar do opressor exército inglês por desentendimentos políticos, lutando contra uma Coroa infiel e ambiciosa, e se juntado na missão de espalhar a instabilidade e a insurgência entre as diferentes classes sociais. A caveira na bandeira pode ser o símbolo de uma rebelião histórica. E o capitão e a donzela são charmosos e apaixonados, e no fundo é a sua figura parental que une o grupo instável que é a tripulação do navio, como uma família incomum.

Ou a tripulação pode ser de uma desgarrada estirpe, perseguidos pela boa Justiça e temidos pelos trabalhadores honestos. Isso porque certos homens idolatram a própria imagem e simplesmente não se ajustam à sociedade alguma. Profissão e honra são meios de domar as pessoas, e esses mesmos homens deles fogem como diabos fogem da cruz. A marginalidade é a salvação, e a lâmina fria na garganta do próximo é todo o escapismo que esses insanos necessitam para acalmar o próprio peito. Vontade de sangue, vontade de violência. E a donzela é uma prostituta e o capitão é um refém psicológico, um boneco das vontades da sua incontrolável tripulação. Ou quem sabe, ele é o mais insano de todos, o mais violento e o mais temível. O meu navio pode ser o navio da morte, e a caveira em sua flâmula nada mais é que prenúncio de perdição. Três tiros de canhão na noite, e vários homens bons jamais encontrarão o caminho de casa.

Ou quem sabe, política e sociedade nada tem a ver com a história desse navio; quem sabe a tripulação é de sonhadores e aventureiros. Quem sabe do diário de bordo deles nada conste se não relatos de encontros míticos encantados. Fugas apertadas de ciclopes e encontros avassaladores com sereias. O capitão é um homem sábio e a donzela, sua esposa, mulher cheia de segredos; pode ser então que o protagonista da história seja um dos simples tripulantes, um jovem esperto e sedento por explorar os cantos de um mundo que está só começando. Nada de baleia branca assassina ou de icebergs escondidos; não, só o dia após dia de um grupo de pessoas que tem toda uma vida pela frente.

Eu paro de sorrir. É só um barco de brinquedo que nunca vai deixar a minha sala de estar.

Porque nenhuma conquista mais tem sabor.

Porque tudo se tornou muito complexo.

Porque na mente do homem de hoje, não há mais espaço para Navios Piratas.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Uma Execução

Hoje foi um dia curioso.
Não curioso quanto ao conteúdo, não. Dessas querelas subjetivas que passeiam pelos calçamentos do diuturno eu me abstenho comentar; quero chamar atenção simplesmente para o dia em si, sua forma.

Quando acordei, fazia tempo agourento: céus fechados e chuva. Quase como uma pessoa, o dia acordou mal-encarado, estressado. As nuvens resguardavam o horizonte como uma alcateia cerca uma presa ferida, enquanto a chuva ameaçava a cidade e dificultava a vida dos que transitavam. Olhar pela janela era um convite à reflexão, uma sedução ínsita à introspecção.

A batalha celestial procedeu sem comprometimentos humanamente perceptíveis, enquanto eu cedia ocasionais lapsos de atenção à pintura que se apresentava.

Mais tarde, porém, um dos lados submeteu-se ao sobrestamento do outro, e as nuvens foram sumindo e sumindo, enquanto a chuva jazia agora unicamente na forma de poças frias e segregadas pelas ruas da cidade.

O sol, magnânimo, surgiu e trouxe com ele uma luz especial. Uma luz que não é a mesma que se vê todo dia. Uma luz que, como os lanceiros em um pós-batalha que atravessam o campo do entrave e perfuram os moribundos, segurou todo vento e afanou toda penumbra. Atirar meu olhar pelas janelas da sala de aula era como encarar retratos: nada que verde fosse movia-se ou agitava-se de qualquer forma. Sempre, é claro, numa cor muito pungente, muito irradiada. Como prisioneiro nu que é torturado por reter informações secretas, o mundo era feito refém. Caminhadas pela floresta revelariam mais e mais desta incômoda imagem; uma imagem de quase violência. Muito próxima, de fato, da obscenidade. Assistir a paisagem conhecida minha de todo dia ser espoliada dessa forma era desconfortável.

E eu assisti enquanto os ponteiros vespertinos percorriam o círculo e tornavam-se crepusculares; foi quando mais deprimido fiquei. O dia agora era posto ao cabo de sua vida, ao fim de sua existência, e de maneira incrivelmente dolorosa. Seu algoz, fosse quem fosse, agora o agredia com algumas nuvens espessas e fazia-o contorcer e espernear de tal maneira que sua dor apresentava-se escarlate à plateia humana que lhe desse vista. Uma agonia púrpuro-inchada, amarelo-náuseada e vermelho-sangrenta. Sofregava o onipotente céu de amor em direção a um inevitável e portentoso fim de gerência.

Lembro que foi do carro que eu assisti aos seus momentos finais de constrição. Enquanto o vermelho-púpuro-amarelo se alastrava pelo seu corpo, o dia finalmente cedeu sem grito ou protesto final, e vazou em líquido viscoso negro. Viscoso e negro como a noite.

O motivo desse espetáculo de violência que foi amostrado, ninguém sabe. Pena, você pode ou não sentir. Mas a questão à que todo este texto se compadece é, em verdade, a da desnecessidade de tudo isso.

sábado, 6 de novembro de 2010

Jogos Pouco Mortais

As pessoas tem essa habilidade especial, cara. Essa coisa pungente e gritante que é a capacidade de estragar as coisas que a gente gosta.

Sabe, eu sempre fui um daqueles adolescentes, de gosto questionável, fã de Jogos Mortais. Eu assisti todos os filmes, acompanhei a história e admirei a máquina de fazer dinheiro que virou a série. E eu até hoje me admiro com a quantidade de coisas que dá para suscitar num filme daqueles. Digo, uma série sobre serial killers que criam armadilhas mortais para, num deturbado senso ético, tentar ensinar o apreço à vida àquelas pessoas que se tornaram cegas ao que há de maravilhoso ao redor é o tipo de sinopse que pode fazer funcionar engrenagens até nós cérebros mais, digamos, limitados. Digo, contrapor a vida à morte é o ponto de partida de praticamente toda a ficção na história humana.

Desde a parábola de Cain e Abel (o primeiro homicídio) até o Crime e Castigo de Dostoiévisky, os seres humanos tem fascinação pela morte e seus efeitos sobre a vida. Surge então a série Jogos Mortais, num brilhantismo cultural que apenas os filmes de terror conseguem atingir. Me explico: você já percebeu como as séries de terror realmente marcam a cultura pop? Sexta-feira 13, Hora do Pesadelo, Halloween, são só alguns exemplos do que esse nicho tem à oferecer. E surgem então os críticos sem visão (que não faltam), e apontam seus pequenos e enrugados dedinhos e criticam todos os detalhes do filme. Mil críticas foram lançadas aos supracitados Slasher Movies. Na época, foram filmes que foram massacrados pelas resenhas profissionais. E são clássicos inquestionáveis do cinema, como pode isso?

Simples. Esse tipo de filme, os de “terror”, surgem para expor o que há de mais paupável na psiquê humana da época. Como você sabe se ele atingiu seu objetivo? Com o sucesso de bilheteria- não de crítica. Duvidam de mim? Hoje, várias obras são redigidas explorando essas películas que marcaram as décadas passadas, e expõem o que o cinema dizia nas entrelinhas aos jovens que o frequentavam, e com ele se identificavam. Percebam como em todo filme do Jason ou do Freddy, por exemplo, tem aquele casal que morre antes ou logo após transar. Parece trash não? Olhe para trás, agora, e me diga se não foi a questão sexual, de libertação jovem e quebra de tabus uma das que dominou os anos 70. O próprio medo inconsciente que tinham os jovens do ato sexual,tanto pela falta de conhecimento, como pelatransmissão de doenças, como por tantas outras coisas. O cinema de terror tem o primor; tem o primor cultural acima de todos os outros gêneros. Afinal, o terror deve ser pop. Peço que vocês atentem para o fato de que todos os grandes diretores modernos começaram escrevendo estórias de terror trash: Steven Spielberg, Peter Jackson, Roman Polanski, James Cameron, etc.

E hoje em dia nós assistimos o levantamento dessa série opulenta que é Jogos Mortais ( não há um só filme na série que não tenha sido um sucesso irredutível de bilheteria; até agora). Nunca vi uma série tão capaz de erguer-se e atingir o genial. Tão capaz de atravessar as barreiras da psicologia humana e mexer com o cerne da moral e da razão. Tão capaz de estipular situações-limite, de puro desespero existencial, onde nós poderíamos ver desabrochar a pura humanidade em meio ao torpe e ao abominável.
Mas temos então Jogos Mortais 7- O Final. Um momento de brilhantismo: o filme é sobre um “sobrevivente” de uma das armadilhas mortais que tenta capitalizar em cima de sua peripécia. O que eu achei simplesmente sagaz, afinal, é o que o ser humano faz nos dias de hoje, certo? Capitaliza em cima de informação. Escreve um livro, como o protagonista do filme. Simplesmente interessantíssimo. Mas, voltando ao meu ponto inicial neste post, os homens tem a capacidade de destruir as boas criações, e o que se vê em seguida é um filme que nem tenta mais. Não tenta ser intrincado, não tenta despistar o telespectador, não tenta confundir e nem chega a ser cruel de verdade. Até hoje lembro de Jogos Mortais 4, e de como aquele filme é realmente cruel com seus personagens. Mas este, ele às vezes parece uma sátira de si mesmo. Um sarcasmo voltado aos outros filmes da série, um Deu a Louca nos Jogos Mortais. Uma armadilha MORTAL em que a vítima tem que arrancar dois dentes com um alicate para sobreviver? SÉRIO? ARRANCAR DENTES? Em Jogos Mortais 2 teve um maluco que tinha que ARRANCAR O OLHO COM UM BISTURI, E NESSE O CARA TEM QUE ARRANCAR 2 DENTES? E se o rapaz tivesse cáries? O serial killer estaria lhe fazendo um puta favor, porra! Dentistas arrancam dentes, serial killers arrancam a mandíbula inteira, no mínimo!

Senhores produtores gananciosos, eu lanço um apelo: parem. Parem de fazer Jogos Mortais. Vamos deixar essa obra intocada por um tempo, sim? Que ela já entrou para a história, sem dúvidas. Agora, vamos deixar que ela descanse. Para que eu possa, daqui a 20 anos, quando eu já estiver velho e chato, assistir o remake. E que seja um bom remake.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

República (anti)Democrática de Nada Direito

Então, aqui estou eu novamente. Para aqueles que se esqueceram, eu sou o Haroldo, uma das pessoas mais filosoficamente rebeldes e mentalmente inquietas que vocês já conheceram. E este é o meu humilde covil.

O motivo de eu não postar à quase um mês é simples: eu tenho andado tão psicologicamente instável que nada do que eu escrevo parece fazer qualquer sentido. Aliás, se você conhecer um bom psicólogo, escreva em OPINIÕES, aí embaixo, o número de telefone e e-mail do sujeito, porque eu tenho precisado de alguém para conversar. Mas se a consulta for mais do que 7 reais, não escreva, eu prefiro morrer louco e com dinheiro pro lanche na UFAM do que são e pobre.
O caso é que eu rastejo para fora do meu casulo metafórico hoje em ímpeto de comentar num recente evento: a eleição presidencial. Vocês devem ter percebido que ontem foi eleita a primeira mulher presidente na história desse país, e eu queria parabenizar os diligentes brasileiros responsáveis por essa vitória, e adoraria ressaltar também que a conquista não para por aí: além de primeira mulher presidente, que não é novidade no panorama mundial, vocês acabam de eleger a primeira terrorista, a mais inapta criatura, mais indiferente meliante e mais manipulável resíduo de decência humana que as cinzas democráticas da política representativa deste país já teve o desprazer de ter atarraxado na garganta em tantos e tantos; e ISSO eu tenho certeza que é digno de nota mundial.

Eu não estou à fim de fazer piada, NÃO riam desta porra deste post babaca. Eu não estou com a aptidão cognitiva necessária para formular qualquer tirada cômica hoje. Eu, em verdade, estou ouvindo pelos fones de ouvido uma marcha meio fúnebre do jogo Halo. O que eu quero agora é entregar uma mensagem aos votantes rubros desse último turno.

Nós não vivemos numa democracia. Vivemos numa Demagogia; digo isso, e se vocês pensarem um pouquinho que seja vocês vão concordar, porque ao fim e ao cabo ninguém expressa seus ideais políticos quando digitando os números naquela caixa eletrônica. Não há soberania da vontade do povo. Os partidos políticos tomaram a frente e os representantes (políticos) esqueceram dos representados, e estão buscando seus próprios ideais; Paulo Bonavides diria que isso é a Duplicidade da Representatividade na Política Brasileira (olha aí, eu andei estudando ;) ). Isso ocorre quando o povo é feito refém da política, e um sintoma simples de entender é esse: quem aqui votou em alguém por ideologia? Quem aqui votou em alguém porque acompanhou a história desse candidato e divide com ele seus ideais? Não vale dizer Dilma já de início, afinal ela não tem HISTÓRIA POLÍTICA e muito menos EXPRESSOU QUALQUER IDEAL que não fosse “Eu dou o ** para o presidente!”. Quem votou na Dilma o fez por medo irracional, estúpido e infantil de ter a Zona Franca prejudicada por alguma atitude do sr. Serra ou algo do tipo, e quem votou no Serra o fez porque sabe que o PT está construindo uma ditadura velada.

AHUAHUAHAUHAUHAUHA DITADURA HAROLDO VOSÉ ÉH TODO BURRÃO NÃHO EZISTE MAIS ESSE NEGÓSSIO DE DITADURA ISSO ÉH BALELA DA TUA CABESSA AHAUHAUAHUAH

Em um parágrafo: O PT está há 8 anos na presidência, isto é: o Poder Executivo já era (1 de 3), ele tem maiorias em quase todas as câmaras legislativas, isto é: Poder Legislativo foi pro espaço (2 de 3). Todos sabemos que, muito embora o Poder Judiciário teoricamente devesse ser separado da influência dos outros dois, para a boa manutenção do processo democrático, o que acontece é que só sobe na hierarquia judiciária aqueles favorecidos pelos poderes políticos; aqueles mesmos corrompidos pelo PT. O PT já tem 1 membro no STF, e vai colocar o segundo nos próximos meses. Imaginem como vai ser se eles tiverem mais 8 anos no poder!(3 de 3) Com uma maioria no poder Judiciário, quem vai ser capaz de dizer não ao ParTidão? Diz pra mim, seu baba-ovo filho de uma puta. O PT já está tentando estagnar a intelectualidade brasileira, e ele já lançou mão de 2 tentativas para calar de vez a boca dos jornalistas deste país ( Conselho de Comunicação Social é apenas uma fachada para Conselho de CALA A BOCA PORRA E DEIXA A GENTE ROUBAR QUIETO). Quem aqui já não viu o medo irracional que os petistas tem da revista Veja? Dizem que ela só fala mentiras e espalha a calúnia, mas por quê diabos eles não a processam então? É de conhecimento público que se houver ocorrido mentira real a revista VAI ser obrigada a indenizar e fazer retratação. Mas nem processar eles processam... Estranho! Aí me vêm as pessoas dizendo “Ditadura é impossível nos dias de hoje!”, e eu respondo “Por que?”. Oras, não vai ser aquela coisa militarizada de 64, evidentemente, mas se um ParTido controla o Judiciário e o Executivo de cabo à rabo, quem, QUEM vai poder dizer NÃO pra ele? Digam-me, por favor! Quem? Isso, senhoras e senhores, é uma ditadura tão eficiente como qualquer outra.

Agrava-se, senhoras e senhores, quando o ParTido consegue manter o povo calado com migalhas de pão em forma de Bolsas como o fez Luis XVIII na França, antes da revolução. É a Bolsa Migalha, e o povo fica longe dos portões do castelo, vivendo com 1% do que poderia usufruir, enquanto o ParTido reparte o resto entre si.

Mas senhoras e senhores, este post parece ser mais condenatório do que o é em verdade. Os ParTidaristas PTistas do PT sempre vem com aquele discurso ignorante de que “MAS SEMPRE HOUVE CORRUPÇÃO NO BRASIL”, como se isso servisse para desculpá-los. Mas sabe, depois de bastante estudar essas nossas Ciências Políticas eu cheguei à conclusão de que a culpa não é inteiramente do PT. Muito embora isso não escuse em NADA a besteira que foi feita pelos brasileiros ontem, dia 31 de Outubro.

Mas de qualquer forma, paro por aqui. Esse post já está grande o suficiente. Se vocês quiserem, noutro post eu explicarei o porquê de o PT não ser tão culpável assim.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Terra do Nunca, Nunca na Terra

O cigarro em suas mãos diz muitas coisas. Mais até do que ela, que está silenciosa. O seu vestido é azul, cheio de brilhos (enegrecidos pela sujeira), sua renda toda bem cosida (rasgada e desgastada), seus sapatinhos de cristal (está faltando um, o outro está trincado), a parte frontal de seu vestido é uma agradável pintura da face de uma criança (só que o seu busto está rasgado, abrindo num grande decote, e seu vestido todo esticado e maltratado pelo tempo fez o sorriso da criança se entortar, pender e cair num expressão de tristeza). Ela está sentada num tronco morto, igual a todos os outros troncos mortos que temos ao redor, com suas perninhas jogadas displicentemente em todas as direções.

Estico-lhe um braço, e ela nota o isqueiro negro na extremidade que lhe é próxima. Seus belos olhos azuis fitam-me com profundidade, enquanto ela exita baixinho.

Com um movimento dos dedos, eu faço o fogo, e a luz me mostra detalhes não de todo agradáveis em sua face: a maquiagem borrada exalta as veredas de lágrimas por suas bochechas, e o brilho que enfeitava os lábios já minguou. Ela, depois de uma curta briga interna, resolve-se.

- Típico! - diz com um pouco de amargura. E num movimento rápido, encosta seu cigarro na minha chama, e assiste enquanto ele adquire brilho próprio. Então, com a velocidade de uma viciada contumaz, ela o leva à boca, numa boa tragada.

- O que aconteceu com suas asas, Fada Azul? - pergunto, não tão inocente enquanto guardo o isqueiro negro. Por algum motivo, essa pergunta faz todo o sentido.

Uma tragada precede sua resposta, enquanto ela empalidece e eu assisto uma longa subida e uma longa decida de seu peito - Caíram. - Seus olhos me evitam como o Diabo evita a cruz, parecendo relâmpagos azulados em suas órbitas, procurando um ponto fixo.

- Hm... Mas como?

Sua carinha suja se torce numa carranca, que nem por isso deixa de ser bela, enquanto ela me cospe sua resposta:- Caíram de caideza caída!

- Como poderiam suas asas cair?

Subitamente, sua expressão vaza numa de dor e angústia, com suas sobrancelhas quase se interceptando no topo da testa, mas só por um momento, pois logo ela se recupera - Caíram porque não eram mais necessárias, obviamente. - ela respondeu, escondendo-se atrás de uma expressão indiferente. Seus olhos ainda em outro lugar, como se nossa conversa fosse a coisa menos interessante daquele cenário estático. Mas então, algo subitamente veio à minha mente; uma idéia. Mas tentei afastá-la, incomodado.

- Mas ... - interrompi minha própria frase, quando me dei conta: - Uau! Neve!

De repente, desciam do céu aqueles flocos gelados que eu sempre tivera vontade de conhecer. Neve! Olhei ao redor, impressionado, observando enquanto os flocos cercavam-nos por completo. Um sorriso veio aos meus lábios; mas não por muito tempo.

- Eles caem que nem neve, mas eu não acho que sua origem seja tão nobre. - disse a Fada Azul, parecendo incomodada. Eu olhei então mais atentamente. Abri uma de minhas mãos para interromper o ciclo cadente de uma das partículas.

- Só não cometa o mesmo erro que eu.- interrompeu-me- De experimentá-los; com a boca. - disse a Fada. Franziu então o cenho, e sugou novamente o cigarro.

- Cinzas...?- espantei-me, analisando a partícula que havia aparado.

- Elas caem como neve. Só que a neve purifica, a fuligem simplesmente suja.

Olhando ao redor, com posse desses novos dados, pude finalmente compreender por quê tudo parecia sujo e mal-cuidado; que nem a Fada.

- De onde vêm? Estamos em perigo?- perguntei, olhando preocupado em todas as direções.

- Em perigo de que? - rebateu a Fada, entre baforadas, desinteressada como sempre.

- Oras! - o descaso existencial e sua alienaçã material começavam a me incomodar flagrantemente.- Perigo de morrermos queimados! Sabe? Fogo? Incêndio?

- Não se preocupe. A pior coisa que pode acontecer por aqui é continuar respirando.- disparou a triste Fada, erguendo uma sobrancelha em desgosto. Deu então uma longa tragada. Foi quando eu reparei que ela não liberava a fumaça de volta. - Quando se está em lugar nenhum, ser alguma coisa perde seu valor. Para não dizer seu sentido.

Logo as peças do quebra-cabeça se identificavam em minha mente, e eu começava a ver a grande imagem. À entender. Fui acometido por uma grande pena da pobre Fada. Meu próximo movimento foi para sentar-me ao seu lado. Não pude deixar de notar então seus cabelos loiros (sujos e bagunçados). Empelido pela emoção, tentei suprimir a austeridade do momento com um trocadilho.

- Mas diga, Fada Azul, o que aconteceu com o Pinóquio? - eu disse, sorrindo.

Uma baforada.- Virou um menino de verdade, oras. - ela disse, indiferente. Mas justo quando eu tentei prosseguir com o trocadilho, ela se completou:- E morreu. De câncer. Parece que nem tudo na vida são flores, né? Pena que o rapaz nunca compreendeu que isso aqui (fez um gesto indicando a própria carne) é um material mais vagabundo que a madeira que o compunha.

Dizer que a narração da Fada me deixou estarrecido e sem reação seria eufemismo. E por um momento ficamos em silêncio. Um silêncio tamanho que chegava a pesar no coração. De pronto, uma brisa gélida começou a nos açoitar. Vi a pobre Fada encolher-se dentro de seus trapos, em busca de calor, mas por inibição não me ofereci para ajudá-la. Indaguei se ela vivia daquele modo à muito tempo; quantas vezes o frio de rachar lhe fustigara o corpo sem que nada ela pudesse fazer. Se a sua personalidade era apenas a ponta do iceberg que era a sua sofrida existência.

- As suas asas. Você as arrancou....não?

A Fada meramente piscou, e seu peito pulou uma expiração. Ela pareceu parar por completo ; e então as palavras que lhe saíram da boca foram como programadas, uma gravação antiga, sem emoção e sem vida.

- Eu tentei arrancá-las. Tentei. Com minhas próprias mãos, mas não deu certo. Elas escapoliam de meu aperto, acho que por puro reflexo. Acho que simplesmente não é natural, sabe, arrancar um membro seu. Mas um par de pedras afiadas, são dificeis de achar por aqui, fizeram o trabalho. Primeiro tive que quebrar os ossos, sabe? Porque se não os ligamentos e os musculos teriam dado muito trabalho, e eu poderia sangrar até a morte. Não que eu tenha muitas razões para viver, não; o que falta é a coragem.- ela mostrou o cigarro- Não, o meu fim vai vir de outro jeito. Enfim, com a pedra mais afiada de que dispunha, deitei-me no chão, e com um braço dilacerei a asa do lado oposto durante o que pareceram horas. O sangue primeiro vinha aos poucos, e a ardência era enlouquecedora. Mas isso foi progressivamente mutando em um outro tipo de dor; uma pior. E então, a sensação de vazio. Troquei de mãos a pedra, e fiz o mesmo do outro lado. Doeu mais. Foi como uma soma de dores, na verdade. - eu reparei que o rosto da Fada estava úmido, e a maquiagem ficava mais e mais disforme. Ela começou a soluçar baixinho, de maneira comedida.- Logo, eu estava sem ambas as asas. Com o restinho de forças que me sobravam, então, eu tentei estancar o sangramento com pedaços do vestido. Depois eu desmaiei. Não sei por quanto tempo fiquei desacordada. Nunca dá pra saber, nessa porcaria de lugar.- disse ela, zangada, suas lágrimas tanto de angústia quanto de tristeza. Ela então deu uma longa tragada, e silenciou.

Eu fiquei digerindo, espantado, ultrajado, perturbado, as coisas que ela me disse. Sem saber muito bem o que falar ou fazer. Uma pergunta, no entanto, saltou de minha boca, estilhaçando o silêncio:

- Por que?

- Por causa de tudo. Do que elas representavam, do que elas me lembravam, do que elas me faziam sentir. De...tudo.

- E o que elas lhe faziam sentir?

O choro da Fada se pronunciou antes que ela pudesse responder, mas ela se manteve firme: - Saudades.

Essa resposta não podia senão transportar meus pensamentos à situações tão distantes e tão remotas, à considerações e suposições tão complexas, que eu comecei a me sentir tonto só em supô-las. Me senti também pesaroso e...e...infeliz.

Juntei minhas forças para mais uma pergunta:

- E o que você fez com suas asinhas, Fada Azul?

Uma grande tragada foi dada, e agora o cigarro estava perigosamente próximo do fim. Ela então esticou um dedo, apontando o céu.

- Queimei.