sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Uma Execução

Hoje foi um dia curioso.
Não curioso quanto ao conteúdo, não. Dessas querelas subjetivas que passeiam pelos calçamentos do diuturno eu me abstenho comentar; quero chamar atenção simplesmente para o dia em si, sua forma.

Quando acordei, fazia tempo agourento: céus fechados e chuva. Quase como uma pessoa, o dia acordou mal-encarado, estressado. As nuvens resguardavam o horizonte como uma alcateia cerca uma presa ferida, enquanto a chuva ameaçava a cidade e dificultava a vida dos que transitavam. Olhar pela janela era um convite à reflexão, uma sedução ínsita à introspecção.

A batalha celestial procedeu sem comprometimentos humanamente perceptíveis, enquanto eu cedia ocasionais lapsos de atenção à pintura que se apresentava.

Mais tarde, porém, um dos lados submeteu-se ao sobrestamento do outro, e as nuvens foram sumindo e sumindo, enquanto a chuva jazia agora unicamente na forma de poças frias e segregadas pelas ruas da cidade.

O sol, magnânimo, surgiu e trouxe com ele uma luz especial. Uma luz que não é a mesma que se vê todo dia. Uma luz que, como os lanceiros em um pós-batalha que atravessam o campo do entrave e perfuram os moribundos, segurou todo vento e afanou toda penumbra. Atirar meu olhar pelas janelas da sala de aula era como encarar retratos: nada que verde fosse movia-se ou agitava-se de qualquer forma. Sempre, é claro, numa cor muito pungente, muito irradiada. Como prisioneiro nu que é torturado por reter informações secretas, o mundo era feito refém. Caminhadas pela floresta revelariam mais e mais desta incômoda imagem; uma imagem de quase violência. Muito próxima, de fato, da obscenidade. Assistir a paisagem conhecida minha de todo dia ser espoliada dessa forma era desconfortável.

E eu assisti enquanto os ponteiros vespertinos percorriam o círculo e tornavam-se crepusculares; foi quando mais deprimido fiquei. O dia agora era posto ao cabo de sua vida, ao fim de sua existência, e de maneira incrivelmente dolorosa. Seu algoz, fosse quem fosse, agora o agredia com algumas nuvens espessas e fazia-o contorcer e espernear de tal maneira que sua dor apresentava-se escarlate à plateia humana que lhe desse vista. Uma agonia púrpuro-inchada, amarelo-náuseada e vermelho-sangrenta. Sofregava o onipotente céu de amor em direção a um inevitável e portentoso fim de gerência.

Lembro que foi do carro que eu assisti aos seus momentos finais de constrição. Enquanto o vermelho-púpuro-amarelo se alastrava pelo seu corpo, o dia finalmente cedeu sem grito ou protesto final, e vazou em líquido viscoso negro. Viscoso e negro como a noite.

O motivo desse espetáculo de violência que foi amostrado, ninguém sabe. Pena, você pode ou não sentir. Mas a questão à que todo este texto se compadece é, em verdade, a da desnecessidade de tudo isso.

sábado, 6 de novembro de 2010

Jogos Pouco Mortais

As pessoas tem essa habilidade especial, cara. Essa coisa pungente e gritante que é a capacidade de estragar as coisas que a gente gosta.

Sabe, eu sempre fui um daqueles adolescentes, de gosto questionável, fã de Jogos Mortais. Eu assisti todos os filmes, acompanhei a história e admirei a máquina de fazer dinheiro que virou a série. E eu até hoje me admiro com a quantidade de coisas que dá para suscitar num filme daqueles. Digo, uma série sobre serial killers que criam armadilhas mortais para, num deturbado senso ético, tentar ensinar o apreço à vida àquelas pessoas que se tornaram cegas ao que há de maravilhoso ao redor é o tipo de sinopse que pode fazer funcionar engrenagens até nós cérebros mais, digamos, limitados. Digo, contrapor a vida à morte é o ponto de partida de praticamente toda a ficção na história humana.

Desde a parábola de Cain e Abel (o primeiro homicídio) até o Crime e Castigo de Dostoiévisky, os seres humanos tem fascinação pela morte e seus efeitos sobre a vida. Surge então a série Jogos Mortais, num brilhantismo cultural que apenas os filmes de terror conseguem atingir. Me explico: você já percebeu como as séries de terror realmente marcam a cultura pop? Sexta-feira 13, Hora do Pesadelo, Halloween, são só alguns exemplos do que esse nicho tem à oferecer. E surgem então os críticos sem visão (que não faltam), e apontam seus pequenos e enrugados dedinhos e criticam todos os detalhes do filme. Mil críticas foram lançadas aos supracitados Slasher Movies. Na época, foram filmes que foram massacrados pelas resenhas profissionais. E são clássicos inquestionáveis do cinema, como pode isso?

Simples. Esse tipo de filme, os de “terror”, surgem para expor o que há de mais paupável na psiquê humana da época. Como você sabe se ele atingiu seu objetivo? Com o sucesso de bilheteria- não de crítica. Duvidam de mim? Hoje, várias obras são redigidas explorando essas películas que marcaram as décadas passadas, e expõem o que o cinema dizia nas entrelinhas aos jovens que o frequentavam, e com ele se identificavam. Percebam como em todo filme do Jason ou do Freddy, por exemplo, tem aquele casal que morre antes ou logo após transar. Parece trash não? Olhe para trás, agora, e me diga se não foi a questão sexual, de libertação jovem e quebra de tabus uma das que dominou os anos 70. O próprio medo inconsciente que tinham os jovens do ato sexual,tanto pela falta de conhecimento, como pelatransmissão de doenças, como por tantas outras coisas. O cinema de terror tem o primor; tem o primor cultural acima de todos os outros gêneros. Afinal, o terror deve ser pop. Peço que vocês atentem para o fato de que todos os grandes diretores modernos começaram escrevendo estórias de terror trash: Steven Spielberg, Peter Jackson, Roman Polanski, James Cameron, etc.

E hoje em dia nós assistimos o levantamento dessa série opulenta que é Jogos Mortais ( não há um só filme na série que não tenha sido um sucesso irredutível de bilheteria; até agora). Nunca vi uma série tão capaz de erguer-se e atingir o genial. Tão capaz de atravessar as barreiras da psicologia humana e mexer com o cerne da moral e da razão. Tão capaz de estipular situações-limite, de puro desespero existencial, onde nós poderíamos ver desabrochar a pura humanidade em meio ao torpe e ao abominável.
Mas temos então Jogos Mortais 7- O Final. Um momento de brilhantismo: o filme é sobre um “sobrevivente” de uma das armadilhas mortais que tenta capitalizar em cima de sua peripécia. O que eu achei simplesmente sagaz, afinal, é o que o ser humano faz nos dias de hoje, certo? Capitaliza em cima de informação. Escreve um livro, como o protagonista do filme. Simplesmente interessantíssimo. Mas, voltando ao meu ponto inicial neste post, os homens tem a capacidade de destruir as boas criações, e o que se vê em seguida é um filme que nem tenta mais. Não tenta ser intrincado, não tenta despistar o telespectador, não tenta confundir e nem chega a ser cruel de verdade. Até hoje lembro de Jogos Mortais 4, e de como aquele filme é realmente cruel com seus personagens. Mas este, ele às vezes parece uma sátira de si mesmo. Um sarcasmo voltado aos outros filmes da série, um Deu a Louca nos Jogos Mortais. Uma armadilha MORTAL em que a vítima tem que arrancar dois dentes com um alicate para sobreviver? SÉRIO? ARRANCAR DENTES? Em Jogos Mortais 2 teve um maluco que tinha que ARRANCAR O OLHO COM UM BISTURI, E NESSE O CARA TEM QUE ARRANCAR 2 DENTES? E se o rapaz tivesse cáries? O serial killer estaria lhe fazendo um puta favor, porra! Dentistas arrancam dentes, serial killers arrancam a mandíbula inteira, no mínimo!

Senhores produtores gananciosos, eu lanço um apelo: parem. Parem de fazer Jogos Mortais. Vamos deixar essa obra intocada por um tempo, sim? Que ela já entrou para a história, sem dúvidas. Agora, vamos deixar que ela descanse. Para que eu possa, daqui a 20 anos, quando eu já estiver velho e chato, assistir o remake. E que seja um bom remake.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

República (anti)Democrática de Nada Direito

Então, aqui estou eu novamente. Para aqueles que se esqueceram, eu sou o Haroldo, uma das pessoas mais filosoficamente rebeldes e mentalmente inquietas que vocês já conheceram. E este é o meu humilde covil.

O motivo de eu não postar à quase um mês é simples: eu tenho andado tão psicologicamente instável que nada do que eu escrevo parece fazer qualquer sentido. Aliás, se você conhecer um bom psicólogo, escreva em OPINIÕES, aí embaixo, o número de telefone e e-mail do sujeito, porque eu tenho precisado de alguém para conversar. Mas se a consulta for mais do que 7 reais, não escreva, eu prefiro morrer louco e com dinheiro pro lanche na UFAM do que são e pobre.
O caso é que eu rastejo para fora do meu casulo metafórico hoje em ímpeto de comentar num recente evento: a eleição presidencial. Vocês devem ter percebido que ontem foi eleita a primeira mulher presidente na história desse país, e eu queria parabenizar os diligentes brasileiros responsáveis por essa vitória, e adoraria ressaltar também que a conquista não para por aí: além de primeira mulher presidente, que não é novidade no panorama mundial, vocês acabam de eleger a primeira terrorista, a mais inapta criatura, mais indiferente meliante e mais manipulável resíduo de decência humana que as cinzas democráticas da política representativa deste país já teve o desprazer de ter atarraxado na garganta em tantos e tantos; e ISSO eu tenho certeza que é digno de nota mundial.

Eu não estou à fim de fazer piada, NÃO riam desta porra deste post babaca. Eu não estou com a aptidão cognitiva necessária para formular qualquer tirada cômica hoje. Eu, em verdade, estou ouvindo pelos fones de ouvido uma marcha meio fúnebre do jogo Halo. O que eu quero agora é entregar uma mensagem aos votantes rubros desse último turno.

Nós não vivemos numa democracia. Vivemos numa Demagogia; digo isso, e se vocês pensarem um pouquinho que seja vocês vão concordar, porque ao fim e ao cabo ninguém expressa seus ideais políticos quando digitando os números naquela caixa eletrônica. Não há soberania da vontade do povo. Os partidos políticos tomaram a frente e os representantes (políticos) esqueceram dos representados, e estão buscando seus próprios ideais; Paulo Bonavides diria que isso é a Duplicidade da Representatividade na Política Brasileira (olha aí, eu andei estudando ;) ). Isso ocorre quando o povo é feito refém da política, e um sintoma simples de entender é esse: quem aqui votou em alguém por ideologia? Quem aqui votou em alguém porque acompanhou a história desse candidato e divide com ele seus ideais? Não vale dizer Dilma já de início, afinal ela não tem HISTÓRIA POLÍTICA e muito menos EXPRESSOU QUALQUER IDEAL que não fosse “Eu dou o ** para o presidente!”. Quem votou na Dilma o fez por medo irracional, estúpido e infantil de ter a Zona Franca prejudicada por alguma atitude do sr. Serra ou algo do tipo, e quem votou no Serra o fez porque sabe que o PT está construindo uma ditadura velada.

AHUAHUAHAUHAUHAUHA DITADURA HAROLDO VOSÉ ÉH TODO BURRÃO NÃHO EZISTE MAIS ESSE NEGÓSSIO DE DITADURA ISSO ÉH BALELA DA TUA CABESSA AHAUHAUAHUAH

Em um parágrafo: O PT está há 8 anos na presidência, isto é: o Poder Executivo já era (1 de 3), ele tem maiorias em quase todas as câmaras legislativas, isto é: Poder Legislativo foi pro espaço (2 de 3). Todos sabemos que, muito embora o Poder Judiciário teoricamente devesse ser separado da influência dos outros dois, para a boa manutenção do processo democrático, o que acontece é que só sobe na hierarquia judiciária aqueles favorecidos pelos poderes políticos; aqueles mesmos corrompidos pelo PT. O PT já tem 1 membro no STF, e vai colocar o segundo nos próximos meses. Imaginem como vai ser se eles tiverem mais 8 anos no poder!(3 de 3) Com uma maioria no poder Judiciário, quem vai ser capaz de dizer não ao ParTidão? Diz pra mim, seu baba-ovo filho de uma puta. O PT já está tentando estagnar a intelectualidade brasileira, e ele já lançou mão de 2 tentativas para calar de vez a boca dos jornalistas deste país ( Conselho de Comunicação Social é apenas uma fachada para Conselho de CALA A BOCA PORRA E DEIXA A GENTE ROUBAR QUIETO). Quem aqui já não viu o medo irracional que os petistas tem da revista Veja? Dizem que ela só fala mentiras e espalha a calúnia, mas por quê diabos eles não a processam então? É de conhecimento público que se houver ocorrido mentira real a revista VAI ser obrigada a indenizar e fazer retratação. Mas nem processar eles processam... Estranho! Aí me vêm as pessoas dizendo “Ditadura é impossível nos dias de hoje!”, e eu respondo “Por que?”. Oras, não vai ser aquela coisa militarizada de 64, evidentemente, mas se um ParTido controla o Judiciário e o Executivo de cabo à rabo, quem, QUEM vai poder dizer NÃO pra ele? Digam-me, por favor! Quem? Isso, senhoras e senhores, é uma ditadura tão eficiente como qualquer outra.

Agrava-se, senhoras e senhores, quando o ParTido consegue manter o povo calado com migalhas de pão em forma de Bolsas como o fez Luis XVIII na França, antes da revolução. É a Bolsa Migalha, e o povo fica longe dos portões do castelo, vivendo com 1% do que poderia usufruir, enquanto o ParTido reparte o resto entre si.

Mas senhoras e senhores, este post parece ser mais condenatório do que o é em verdade. Os ParTidaristas PTistas do PT sempre vem com aquele discurso ignorante de que “MAS SEMPRE HOUVE CORRUPÇÃO NO BRASIL”, como se isso servisse para desculpá-los. Mas sabe, depois de bastante estudar essas nossas Ciências Políticas eu cheguei à conclusão de que a culpa não é inteiramente do PT. Muito embora isso não escuse em NADA a besteira que foi feita pelos brasileiros ontem, dia 31 de Outubro.

Mas de qualquer forma, paro por aqui. Esse post já está grande o suficiente. Se vocês quiserem, noutro post eu explicarei o porquê de o PT não ser tão culpável assim.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Terra do Nunca, Nunca na Terra

O cigarro em suas mãos diz muitas coisas. Mais até do que ela, que está silenciosa. O seu vestido é azul, cheio de brilhos (enegrecidos pela sujeira), sua renda toda bem cosida (rasgada e desgastada), seus sapatinhos de cristal (está faltando um, o outro está trincado), a parte frontal de seu vestido é uma agradável pintura da face de uma criança (só que o seu busto está rasgado, abrindo num grande decote, e seu vestido todo esticado e maltratado pelo tempo fez o sorriso da criança se entortar, pender e cair num expressão de tristeza). Ela está sentada num tronco morto, igual a todos os outros troncos mortos que temos ao redor, com suas perninhas jogadas displicentemente em todas as direções.

Estico-lhe um braço, e ela nota o isqueiro negro na extremidade que lhe é próxima. Seus belos olhos azuis fitam-me com profundidade, enquanto ela exita baixinho.

Com um movimento dos dedos, eu faço o fogo, e a luz me mostra detalhes não de todo agradáveis em sua face: a maquiagem borrada exalta as veredas de lágrimas por suas bochechas, e o brilho que enfeitava os lábios já minguou. Ela, depois de uma curta briga interna, resolve-se.

- Típico! - diz com um pouco de amargura. E num movimento rápido, encosta seu cigarro na minha chama, e assiste enquanto ele adquire brilho próprio. Então, com a velocidade de uma viciada contumaz, ela o leva à boca, numa boa tragada.

- O que aconteceu com suas asas, Fada Azul? - pergunto, não tão inocente enquanto guardo o isqueiro negro. Por algum motivo, essa pergunta faz todo o sentido.

Uma tragada precede sua resposta, enquanto ela empalidece e eu assisto uma longa subida e uma longa decida de seu peito - Caíram. - Seus olhos me evitam como o Diabo evita a cruz, parecendo relâmpagos azulados em suas órbitas, procurando um ponto fixo.

- Hm... Mas como?

Sua carinha suja se torce numa carranca, que nem por isso deixa de ser bela, enquanto ela me cospe sua resposta:- Caíram de caideza caída!

- Como poderiam suas asas cair?

Subitamente, sua expressão vaza numa de dor e angústia, com suas sobrancelhas quase se interceptando no topo da testa, mas só por um momento, pois logo ela se recupera - Caíram porque não eram mais necessárias, obviamente. - ela respondeu, escondendo-se atrás de uma expressão indiferente. Seus olhos ainda em outro lugar, como se nossa conversa fosse a coisa menos interessante daquele cenário estático. Mas então, algo subitamente veio à minha mente; uma idéia. Mas tentei afastá-la, incomodado.

- Mas ... - interrompi minha própria frase, quando me dei conta: - Uau! Neve!

De repente, desciam do céu aqueles flocos gelados que eu sempre tivera vontade de conhecer. Neve! Olhei ao redor, impressionado, observando enquanto os flocos cercavam-nos por completo. Um sorriso veio aos meus lábios; mas não por muito tempo.

- Eles caem que nem neve, mas eu não acho que sua origem seja tão nobre. - disse a Fada Azul, parecendo incomodada. Eu olhei então mais atentamente. Abri uma de minhas mãos para interromper o ciclo cadente de uma das partículas.

- Só não cometa o mesmo erro que eu.- interrompeu-me- De experimentá-los; com a boca. - disse a Fada. Franziu então o cenho, e sugou novamente o cigarro.

- Cinzas...?- espantei-me, analisando a partícula que havia aparado.

- Elas caem como neve. Só que a neve purifica, a fuligem simplesmente suja.

Olhando ao redor, com posse desses novos dados, pude finalmente compreender por quê tudo parecia sujo e mal-cuidado; que nem a Fada.

- De onde vêm? Estamos em perigo?- perguntei, olhando preocupado em todas as direções.

- Em perigo de que? - rebateu a Fada, entre baforadas, desinteressada como sempre.

- Oras! - o descaso existencial e sua alienaçã material começavam a me incomodar flagrantemente.- Perigo de morrermos queimados! Sabe? Fogo? Incêndio?

- Não se preocupe. A pior coisa que pode acontecer por aqui é continuar respirando.- disparou a triste Fada, erguendo uma sobrancelha em desgosto. Deu então uma longa tragada. Foi quando eu reparei que ela não liberava a fumaça de volta. - Quando se está em lugar nenhum, ser alguma coisa perde seu valor. Para não dizer seu sentido.

Logo as peças do quebra-cabeça se identificavam em minha mente, e eu começava a ver a grande imagem. À entender. Fui acometido por uma grande pena da pobre Fada. Meu próximo movimento foi para sentar-me ao seu lado. Não pude deixar de notar então seus cabelos loiros (sujos e bagunçados). Empelido pela emoção, tentei suprimir a austeridade do momento com um trocadilho.

- Mas diga, Fada Azul, o que aconteceu com o Pinóquio? - eu disse, sorrindo.

Uma baforada.- Virou um menino de verdade, oras. - ela disse, indiferente. Mas justo quando eu tentei prosseguir com o trocadilho, ela se completou:- E morreu. De câncer. Parece que nem tudo na vida são flores, né? Pena que o rapaz nunca compreendeu que isso aqui (fez um gesto indicando a própria carne) é um material mais vagabundo que a madeira que o compunha.

Dizer que a narração da Fada me deixou estarrecido e sem reação seria eufemismo. E por um momento ficamos em silêncio. Um silêncio tamanho que chegava a pesar no coração. De pronto, uma brisa gélida começou a nos açoitar. Vi a pobre Fada encolher-se dentro de seus trapos, em busca de calor, mas por inibição não me ofereci para ajudá-la. Indaguei se ela vivia daquele modo à muito tempo; quantas vezes o frio de rachar lhe fustigara o corpo sem que nada ela pudesse fazer. Se a sua personalidade era apenas a ponta do iceberg que era a sua sofrida existência.

- As suas asas. Você as arrancou....não?

A Fada meramente piscou, e seu peito pulou uma expiração. Ela pareceu parar por completo ; e então as palavras que lhe saíram da boca foram como programadas, uma gravação antiga, sem emoção e sem vida.

- Eu tentei arrancá-las. Tentei. Com minhas próprias mãos, mas não deu certo. Elas escapoliam de meu aperto, acho que por puro reflexo. Acho que simplesmente não é natural, sabe, arrancar um membro seu. Mas um par de pedras afiadas, são dificeis de achar por aqui, fizeram o trabalho. Primeiro tive que quebrar os ossos, sabe? Porque se não os ligamentos e os musculos teriam dado muito trabalho, e eu poderia sangrar até a morte. Não que eu tenha muitas razões para viver, não; o que falta é a coragem.- ela mostrou o cigarro- Não, o meu fim vai vir de outro jeito. Enfim, com a pedra mais afiada de que dispunha, deitei-me no chão, e com um braço dilacerei a asa do lado oposto durante o que pareceram horas. O sangue primeiro vinha aos poucos, e a ardência era enlouquecedora. Mas isso foi progressivamente mutando em um outro tipo de dor; uma pior. E então, a sensação de vazio. Troquei de mãos a pedra, e fiz o mesmo do outro lado. Doeu mais. Foi como uma soma de dores, na verdade. - eu reparei que o rosto da Fada estava úmido, e a maquiagem ficava mais e mais disforme. Ela começou a soluçar baixinho, de maneira comedida.- Logo, eu estava sem ambas as asas. Com o restinho de forças que me sobravam, então, eu tentei estancar o sangramento com pedaços do vestido. Depois eu desmaiei. Não sei por quanto tempo fiquei desacordada. Nunca dá pra saber, nessa porcaria de lugar.- disse ela, zangada, suas lágrimas tanto de angústia quanto de tristeza. Ela então deu uma longa tragada, e silenciou.

Eu fiquei digerindo, espantado, ultrajado, perturbado, as coisas que ela me disse. Sem saber muito bem o que falar ou fazer. Uma pergunta, no entanto, saltou de minha boca, estilhaçando o silêncio:

- Por que?

- Por causa de tudo. Do que elas representavam, do que elas me lembravam, do que elas me faziam sentir. De...tudo.

- E o que elas lhe faziam sentir?

O choro da Fada se pronunciou antes que ela pudesse responder, mas ela se manteve firme: - Saudades.

Essa resposta não podia senão transportar meus pensamentos à situações tão distantes e tão remotas, à considerações e suposições tão complexas, que eu comecei a me sentir tonto só em supô-las. Me senti também pesaroso e...e...infeliz.

Juntei minhas forças para mais uma pergunta:

- E o que você fez com suas asinhas, Fada Azul?

Uma grande tragada foi dada, e agora o cigarro estava perigosamente próximo do fim. Ela então esticou um dedo, apontando o céu.

- Queimei.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O problema é meu, seu e de todo mundo

Estou só sentado aqui, e já estou incomodado. A cada dia que passa eu tento aperfeiçoar a minha capacidade de enxergar bem através das besteiras; através das mentiras; através do que parece simples e concreto. E eu estou só sentado aqui, incomodado com esse debate (exibido dia 26/09/10, na Record). Os políticos são belas damas que me tiram para dançar, mas eu vejo traços de venefício na beirada de cada boca.
Que belo show de demagogia. Que bela arrumação parece ter sido feita aqui quando nós não estávamos olhando. Foi só minha essa impressão, ou mais parece que houve um acordo sutil entre os debatedores para que absolutamente nada de relevante seja dito durante essa, chamemos da maneira que merece ser chamada, apresentação? Eu estou só sentado aqui, e já estou incomodado.
Olhem só, eu não quero ouvir suas propostas. O tempo para essas propostas já passou, sinto muito. Falta menos de uma semana para as eleições, e essas abstrações ficaram na última saída, à 100 km atrás. Abstrações são porque, veja bem, propostas são ficções, e das mais terríveis, e até eu posso inventar propostas. Quem não pode? Nós, telespectadores, pouco sabemos dos detalhes técnicos das coisas que vocês falam, e são esses detalhes que revelam quem está certo e quem está errado. Propostas são meio caminho andado para mentiras. E ficam vocês aí, fazendo perguntas idiotas, que ofendem a minha inteligência, de maneira ensaiada: A pergunta algo idiota para B, B responde com uma proposta (sofisma) sua, A replica com uma outra proposta (sofisma) e B termina com algum adendo bobo (\o/\o/). E fica assim para sempre até a eternidade; ninguém se compromete, ninguém se arrisca. É jogo seguro. E claro, esses 4 minutos que eles gastaram falando em propostas podem muito bem se igualar à 0, em termos de relevância ou conteúdo. É como contar o seu sonho para alguém: é irrelevante e todo mundo esquece mais cedo ou mais tarde.
Olhem, agora quem fala é a moça de cabelos negros, e a maneira como a sua vida parece ter jogado duro com ela está exposta em cada ruga de sua face. Logo se vê que ela é uma mulher inteligente, mesmo porque ela aprendeu tudo do jeito mais difícil, sem deixar que os sonhos morressem em seus olhos. Ela sabe aonde ir. A minha preocupação é que, talvez, essa moça franzina não tenha a massa para controlar as coisas lá no topo do mundo; ouvi dizer que os ventos por lá são perigosíssimos. Mas ainda assim, ela merece meu respeito, e em outras circunstâncias até mesmo meu voto.
Mas eu não tenho respeito algum pela outra mulher. Respeito NENHUM. Eu nem estou no mesmo recinto que ela, e já posso sentir o cheiro do plástico; aquele plástico extremamente industrializado, com bastante corante vermelho, que modela seu corpo. Se a outra mulher sabe de onde veio, está na cara que esta não veio de lugar algum; é uma marionete qualquer que um homem gordo e barbudo retirou da bolsa no meio da confusão. Vejam as cordas saindo de seus membros, vejam como ela se move de acordo com os dedos que as controlam. Ela é um macaquinho dançando à música do realejo do seu partido, pedindo votos com seu chapeuzinho vermelho. Eu não posso conceber dar meu voto a alguém que nunca, nunca fez nada, nem sequer está onde está por merecimento, e que visivelmente será boneca inflável do próprio partido. E isso, senhores, é uma informação que veio de dentro, e todos sabemos. Não, senhores; votar nessa mulher é um absurdo.
Olhem aquele outro tipo, sentado ali. Careca, tem uma longa história com a política, principalmente de São Paulo, e promete levar ao resto do país suas experiências. Ele é um bom sujeito, mas infelizmente tenho alguns problemas com sua filosofia. Só não voto nele porque sinto que não vivo no mesmo lugar onde mora o coração dele. Mas de resto, ele é plenamente capaz, como o são todos os que concorrem; à exceção, lógico, da patética marionete vermelha.
Felipe Neto já disse: “Esse último é um cara que está morto, mas esqueceram de lhe avisar”. Como sempre, Felipe Neto tem a propriedade e a razão de um peido solto pela metade. Este “homem-morto” está mais vivo que todos os outros juntos. Ele é quem traz alguma importância a este debate, é ele que surge com as boas perguntas e as boas respostas. Todo momento em que ele não está falando é um momento recheado com balelas. É ele quem traz o gingado e o compasso ao debate, tira os outros debatedores do conforto de suas falácias e desequilibra o jogo. Infelizmente, esse senhor de idade ainda levanta a bandeira do socialismo, e isso é o único ponto negativo: gente, sério, o socialismo já era, nós somos capitalistas, vivam com isso. Pelo bem geral da nação.
Aqui sempre se diz o que se quer fazer, mas não se diz o que é necessário fazer” Plínio A.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

É o fim da picada amazonense

Quem é Márcio Souza? É um dos mais proeminentes escritores do Amazonas. É, como se isso fosse grande coisa.

Bem, para quem não viu,o respeitabilíssimo sr. Souza teve um texto seu publicado ontem no jornal A Crítica, chamado 'Descrença'. Nesse texto, ele começa expondo sua decepção com os rumos que a nossa cidade trilha. Ele conclui a primeira parte dizendo que, mesmo apesar de quaisquer esforços políticos que possam vir a influenciar nossa Ordem Pública, a única maneira de Manaus se redimir e se tornar uma bela capital tranquila e calma é sendo aniquilada por uma calamidade pública de destruição em massa como a que abateu Nova Orleans. Então ele cita os grandes inimigos da paz pública: a bagunça, a ignorância, o desrespeito, a prepotência e a ignorância.

Ele conta, na segunda parte, como essa semana ele teve de sair à rua, experiência que por suas palavras só pode significar algo como o traverso do percurso de Dante em A Divina Comédia: Inferno. Ele se dedica a citar todos aqueles embaraços e desconfortos que uma visita ao centro da nossa cidade pode proporcionar, com a constância de verdadeiras aberrações desastrosas satânicas infernais como, por exemplo, vendedores de pamonha. E, pasmem, a praga hecatomba que faz metrópoles perdidas em conflitos de violência do naipe de RJ e SP parecerem um parque diversão: flanelinhas. Eu sou apenas capaz de imaginar a dor que aflige o humilde escritor toda vez que ele ouve o preço de uma pamonha ser gritada na rua, ou a vergonha que ele deve sentir quando um flanelinha o ajuda a fazer aqueeela baliza. Enfim, depois de um enorme, gigantesco e maceta parágrafo descrevendo, horrificado, essas situações típicas dos mais 'pobres', ele se redime (ou tenta): “Mas não são eles (os pobres) que me irritam. É a classe média, que estaciona nas calçadas, que realmente me enerva”. MAS É CLARO QUE É A CLASSE MÉDIA, afinal está na moda criticá-la, não? Logo se vê que o autor andou assistindo Tropa de Elite, difusora principal dessa filosofia. Eu também não sei que recurso literário sofisticado é esse que ele utiliza, de passar horas fazendo críticas vexatórias à alguma coisa para então mudar o objeto do discurso, subitamente, e culpar algo mais supérfluo e que o faça parecer mais socialmente comprometido, mas seja lá o que for, Márcio Souza o domina como ninguém. A partir daí, o autor prossegue para fazer aquelas críticas costumeiras e impessoais à erros cometidos pela ordem pública, coisas em geral menos comprometedoras, e que no ponto de vista dele corroboram o sentimento de descrença que ele tem.

Esse texto me deixou realmente incomodado num domingo de manhã. Oras, Márcio Souza é um escritor que ficou famoso em cima do estudo da história da região Amazônica, matéria que era utilizada nas suas obras à torto e a direito. Ele, mais do que ninguém, se fosse metade do estudioso que se supõe ser, teria um olhar mais inteligente e mais parcimonioso em cima dessas questões regionais. Ele DEVERIA entender os resultados que uma modernização acelerada causam numa cidade tão sem planejamento quanto Manaus: bagunça, senhores. Estamos ainda apenas aprendendo à lidar com as novidades. Ainda estamos caminhando. Vamos melhorar um dia, tenho certeza. Ninguém vive na bagunça porque quer, ninguém empurra um carrinho de pamonha porque quer. Temo que o nosso ilustríssimo escritor deva estar acostumado agora com a boa vida, seus usos agora dizem mais respeito ao refinado e à primeira classe, seu traseiro afofado pelos apoios das melhores poltronas que o dinheiro pode comprar. E a sua mente, velha. Velha como o é o seu objeto de estudo. Porque essa situação de agitação social, de burburinho enlouquecedor, não passa de algo natural. Presente estava nas obras de, oras, Machado de Assis, naqueles contos em que ele detalha o vai-e-vêm dos centros urbanos antigos do RJ, assim como estava presente em tantas outras obras que lidam com a modernidade. Lá estava o protagonista de Crime e Castigo passando mal no meio da agitação enlouquecedora de uma Moscou antiga, nas obras de Dostoiévski, ou aquele inferno industrial que podemos assistir em obras como As Grandes Esperanças, de Charles Dickens. Obras clássicas que um membro cultuado da nossa literatura moderna, oras vejam, falhou em conhecer.

Faça-nos um favor, sr. Márcio Souza, e junte as suas coisinhas e retire-se da nossa região, já que ela tanto desagrada o senhor; aproveite, e PÁRE de escrever também, já que o senhor parece demonstrar tão pouco conhecimento factual sobre ela, à final de contas.

Obrigado, tenha um bom dia, não encha o saco.

PS2: Desculpem se eu estou mais explosivo e delituoso que o normal, meus leitores, mas é que eu tenho especial carinho e afeto pela literatura, e pela pessoa dos autores também, e para mim é difícil separar um do outro.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Nem me disse adeus

O que é um Xbox 360?

Para início de conversa, é o único videogame americano de grande expressão no mercado. O resto, são japoneses. Falei tudo: É o melhor. E o que significa um Xbox 360?
Felicidade. Jogos de montão. Noites adentro, dias afora. Amigos reunidos comendo tekitos e falando shits-à-mil. Passatempo edificante. Desenvolvimento perceptivo e criativo. Sorrisos.

Meu Xbox 360 morreu hoje. Ele apresentou um defeito chamado Three Rings of Death, que aparece quando o hardware interno dele foi para o inferno, e que é um problema bem comum nesse tipo de aparelho. Então, por isso vocês estão vendo essa redecoração no meu blog. Está uma merda, eu sei. Foda-se. Sério, foda-se. Eu estou cagando para o que vocês acham ou deixo de achar da porra do meu blog.

Cheguei em casa feliz e saltitante, como um jovem playboy viadinho que entra no Café Cancun dia de domingo, vim direto para o meu quarto e apertei o botão de ligar o videogame. Mas ele não ligou. Hoje, ele não ligou.

Três luzes vermelhas piscaram, ao invés. Então eu desliguei e tentei de novo.

Idem. Ibidem. Ibidem. Ibidem. Ibidem. Ibidem. Ibidem. Ibidem. Ibidem. Ibidem.

Mãos trêmulas, suando frio (e quente, porque hoje tá quente PRA PORRA),eu me despejei na minha grande cadeira amarela, minha face branca, acho que minhas mandíbulas estavam chacoalhando, mas não tinha ninguém em casa para me oferecer uma porra de uma água com açúcar. O que se faz numa situação dessas? Eu ligo 190? Eu rezo? Eu danço a porra do tango em paris?

Vá se foder, leitor.

Melhor coisa que meus pais fizeram: colocar grade de segurança em todas as janelas da casa. Por quê? Porque eu não sei o que teria sido defenestrado primeiro: o cadáver do meu videogame, a minha cadeira ou eu. Ou a minha cachorrinha.

Brincadeira. Eu nunca jogaria o meu videogame, mesmo ele quebrado, nem a minha cadeira, ela tem valor sentimental, e muito menos a minha cadelinha. Muito embora eu ache que com a densidade do pelo de algodão dela, ela fosse flutuar (eu moro no sétimo andar).

Eu tenho cerca de 40 jogos para Xbox; são cerca de 40 órfãos então. Eu joguei alguns dos melhores jogos de todos os tempos nele. Ele tinha o que? 4 anos. Tá, já era meio velho. Na verdade, ele viveu DEMAIS, visto que a probabilidade de um Xbox dar o problema que o meu deu hoje na época em que esse foi feito era de 33%. É como dizerem para você que um amigo seu tem mais 3 meses de vida.

E ele viver mais 30. Sem falar que eu já tinha deixado-o cair algumas vezes...

Ele já vinha apresentando problemas, como um senhor idoso apresenta sintomas antes de fenecer. A pintura dele já estava enegrecendo. Ele já não lia mais alguns jogos. Ele riscava despropositadamente outros. Ele já não reconhecia controles novos. Ele às vezes não reconhecia o cabo HDMI.

“Haroldo, você se apega demais às suas coisas!”

Claro que eu me apego, CAROLHO! Essa merda desse videogame foi a grande primeira conquista que eu consegui com meu próprio esforço. Sabe quando o jovem economiza sozinho para comprar uma TV? Ou um som? Ou um computador? Pois é, foi o meu caso com esse Xbox. Ele é aquele 1(um) objeto no meu quarto que eu posso dizer que é MEU. Economizei durante um ano, na minha mesada e até no dinheiro do lanche da escola, sabendo que no final do ano iríamos viajar para os EUA, onde essas coisas são mais baratas. Esse Xbox, eu lembro até hoje, foi o único que eu encontrei em TODA A ORLANDO, porque na época ele era tipo SUPER NOVIDADE, e todo mundo já tinha comprado o seu por lá. Esse era o último, só me esperando. Meus olhos brilharam quando eu o vi, e eu o arranquei dos braços do vendedor e fiquei abraçado com ele o resto do dia (a caixa tinha o diâmetro do meu abraço). E, naqueles momentos de abstração juvenil tola, eu imaginava um ladrão aparecendo com um revólver e mandando eu passar o videogame; eu então respondia à plenos pulmões: “VAI TER QUE ATIRAR”.

Cara, ele já fez tanto por mim. Digo, sem ele, eu poderia ter sido um desses jovens super violentos que usam drogas, roubam, matam ou até mesmo colam nas provas. Tá, mentira.

Mas ainda assim.

Eu brincava dizendo que ele era o meu filho, ele e o meu PS 3. O meu primeiro PS 3 cresceu e virou um PS 3 Slim (foi vendido e eu utilizei o dinheiro pra comprar outro, para ser mais exato), mas o meu Xbox.... Morreu, cara.

Ele morreu.